O agronegócio brasileiro é, sem dúvida, o motor que impulsiona a economia nacional. No entanto, para além das safras recordes e das exportações bilionárias que ocupam as manchetes, existe um componente invisível e fundamental que sustenta todo esse crescimento: a Propriedade Intelectual (PI). Quando falamos em inovação no campo hoje, não estamos tratando apenas de tratores e sementes em seu estado bruto, mas de décadas de pesquisa científica, biotecnologia avançada e engenharia de precisão aplicada que demandam uma proteção jurídica robusta para garantir o retorno sobre o investimento.
A Lição da AgriShow 2026: Tecnologia é o Novo Plantio
Recentemente, em abril, a equipe da ABM Marcas e Patentes esteve presente na AgriShow em Ribeirão Preto, a maior vitrine de tecnologia agrícola da América Latina. O que presenciamos nos corredores da feira foi a materialização do futuro imediato. Vimos desde drones de pulverização com navegação autônoma via satélite até softwares de gestão de solo baseados em algoritmos complexos de inteligência artificial.
Estar presente na AgriShow nos permitiu dialogar diretamente com produtores, startups e grandes expositores. O sentimento comum é de que o setor agro deixou de ser apenas “extrativo” para se tornar um setor de “tecnologia pura”. Contudo, um ponto de atenção surgiu em nossas conversas: muitos inovadores ainda acreditam que a proteção termina na cerca da fazenda. Na verdade, a proteção começa no protocolo junto ao INPI. A feira reforçou nossa missão de educar o mercado de que o conhecimento gerado no campo precisa ser transformado em um ativo financeiro seguro através do registro.
Por que o Registro de Patentes é Vital no Campo?
Muitas vezes, o inventor de um novo implemento agrícola ou o desenvolvedor de um software de telemetria foca na funcionalidade imediata e esquece que a “solução técnica” encontrada é, na verdade, uma moeda de troca valiosíssima. No Brasil, o registro de patentes de invenção e de modelos de utilidade é o único caminho legal para assegurar que um concorrente não se aproprie de uma solução desenvolvida com tanto investimento e risco.
Sem a patente, a inovação torna-se, juridicamente, de domínio público no momento em que chega ao mercado. Isso significa que o pioneiro assume todo o custo de pesquisa e desenvolvimento, enquanto o seguidor colhe os lucros sem ter investido um centavo em ciência. A patente confere o direito de exclusividade, permitindo que a empresa ou o produtor recupere seus investimentos e mantenha a liderança tecnológica. Durante a AgriShow, vimos máquinas que levaram cinco anos para serem desenhadas; sem a devida proteção, esses cinco anos podem ser copiados em cinco meses.
A Proteção de Cultivares: A Genética como Ativo
Um dos temas mais técnicos e sensíveis que discutimos na feira foi a proteção de cultivares. Diferente das patentes comuns, as novas variedades de plantas possuem um regime de proteção específico (Lei nº 9.456/97). No Brasil, o Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC) é o órgão responsável por garantir que o obtentor — aquele que desenvolveu uma nova variedade mais resistente a pragas ou com maior produtividade — tenha direitos sobre a reprodução comercial daquela semente.
A genética é o “software” da planta. Proteger uma cultivar é garantir que a soberania alimentar e o avanço científico nacional continuem recebendo investimentos. Para as empresas do setor, essa proteção é a base de seus contratos de licenciamento e a garantia de que a biotecnologia brasileira continue sendo respeitada internacionalmente.
Marcas: A Identidade que Cruza Fronteiras
Além da parte técnica das patentes, o registro de marcas no agronegócio assumiu uma nova camada de relevância. O consumidor global está cada vez mais exigente quanto à origem e sustentabilidade dos produtos. Registrar a marca da sua propriedade rural, da sua cooperativa ou da sua linha de fertilizantes não é apenas um trâmite administrativo; é a construção de um selo de confiança.
Como temos observado em nossos mais de 40 anos de trajetória na ABM Marcas e Patentes, uma marca bem gerida e devidamente protegida torna-se o maior patrimônio de uma empresa. No agro, onde muitas vezes a tradição familiar é forte, o registro garante que o nome construído pelo avô continue sendo um ativo seguro para os netos, protegido contra imitações que podem prejudicar a reputação da linhagem e do produto.
Conclusão: Cercando a Propriedade Intelectual
Inovar no agronegócio sem buscar a proteção jurídica adequada é como plantar uma safra de alto valor genético em solo fértil, mas deixar a propriedade sem cercas ou vigilância. A proteção via Propriedade Intelectual é a barreira legal que garante que o fruto do intelecto e do esforço do produtor permaneça sob seu controle.
A experiência na AgriShow 2026 nos mostrou que o produtor brasileiro está na vanguarda da eficiência. Agora, o próximo passo é garantir que essa eficiência se transforme em patrimônio protegido. Na ABM, continuamos comprometidos em traduzir o complexo mundo jurídico para a realidade de quem faz a terra produzir, assegurando que cada ideia plantada seja uma colheita protegida.


